Opinião: Como é ser uma desenvolvedora de Jogos? Por Nathaja Souza, estudante

Opinião: Como é ser uma desenvolvedora de Jogos? Por Nathaja Souza, estudante Foto: Divulgação

O Brasil é o maior mercado de jogos da América Latina e mesmo assim não temos um grande incentivo para desenvolvimento de jogos. Ser um desenvolvedor de games no Brasil não é nada fácil, mas ver uma mulher ser uma desenvolvedora é mais difícil ainda. 

Cerca de 10% dos desenvolvedores de game no nosso país são mulheres, um número baixíssimo. Mas qual o motivo de ter tão poucas mulheres nessa área? Existem diversos fatores que contribuem para esse número ser tão baixos.

Um dos principais é, infelizmente, o machismo que dificulta o acesso. Diversas pessoas te julgam simplesmente pelo fato de você ser mulher e gostar de jogos. Sim, isso ainda existe. Outra coisa de muita importância é a falta de incentivo a faculdade e cursos técnicos em jogos. Muitas pessoas pensam que estudar Jogos Digitais é ficar jogando o dia todo. Acredite ou não, já ouvi isso diversas vezes.

Existe uma grande falta de informação ainda sobre a formação em games.

Quando decidi que iria fazer Jogos Digitais, eu já conhecia sobre a faculdade pois meu primo e meu namorado estavam fazendo o mesmo curso. Mas as pessoas de fora, como amigos, sempre vão falar coisas sobre as quais não sabem.

Por exemplo: “Vai fazer jogos? Nossa isso é tão coisa de garoto. É isso que tu realmente quer? Não tá fazendo por que teu namorado faz, não é?”.

Sempre me perguntei por qual razão é tão difícil acreditar que mulheres possam se interessar por vídeogames? Quando estava saindo do Ensino Médio eu não sabia o que fazer. Através do meu namorado, eu conheci esse curso e me apaixonei por ele. No começo da faculdade eu senti essa pressão de: “Será que é isso que eu quero mesmo? Será que essas pessoas não estavam certas em falar que isso não era pra mim?”.

Aquilo era um mundo totalmente novo e não era nada fácil, mas com muita vontade e incentivo eu vi que era sim o que eu queria fazer. Posso dizer com toda convicção que estou no curso que eu quero. Isso é algo que eu amo. 

E eu vejo que é isso o que falta para muitas garotas. Elas tem muito amor pelos jogos e sonhos de se tornarem desenvolvedoras, trabalhar com isso. Mas está muito enraizado na cabeça das pessoas que jogos é algo apenas para o público masculino.

É por isso que o número de desenvolvedoras deve aumentar se queremos quebrar esse estigma. Precisamos de mais mulheres fazendo jogos e mostrando jogos não tem que ser apenas para o público masculino. Existem muitas desenvolvedoras maravilhosas na indústria atual dos games, mas poucas são realmente conhecidas pelo público.

Apesar de participarem de jogos famosos na cena brasileira de jogos, é como se seus nomes não fossem de tanta importância por serem mulheres. 

Ser desenvolvedora de jogos é um desafio constante, mas é algo extremamente gratificante e que merece tanto reconhecimento quanto outras profissões. Não importa qual seja sua área neste segmento, considerando roteiro, arte, animação, programação, game designer e outros.

Todas nós merecemos reconhecimento e respeito na profissão que escolhermos. Nós vamos fazer o que amamos. Afinal de contas, é isso o que mais importa. 

Escrevo isso por mais desenvolvedoras mulheres nos jogos! 

Nathaja Souza é universitária e cursa a faculdade de Jogos Digitais na UniRitter. É apaixonada por jogos, principalmente pela franquia Tomb Raider. Devora livros nas horas vagas e  planeja ser roteirista de videogames.

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Última modificação emSexta, 25 Março 2016 20:04
Pedro Zambarda

É jornalista, escritor e comunicador. Formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e em Filosofia pela FFLCH-USP. É editor-chefe do Drops de Jogos e editor do projeto Geração Gamer. Escreve sobre games, tecnologia, política, negócios, economia e sociedade. Email: dropsdejogos@gmail.com ou pedrozambarda@gmail.com.

Website.: www.geracaogamer.com

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